O Conselho Internacional de Museus – ICOM, dando continuidade às reflexões impostas pelo avanço da Covid-19, em particular nos museus, e a necessidade de uma rápida adaptação aos novos tempos, elegeu este ano para debate na comunidade dos profissionais de museus o tema “O futuro dos museus: recuperar e reimaginar”, visando a comemoração do Dia Internacional dos Museus, 18 de maio. No Brasil, esse tema será debatido durante a Semana Nacional dos Museus, proposta pelo Instituto Brasileiro de Museus – Ibram, no período de 17 a 23 de maio de 2021. É um evento de adesão crescente da comunidade museológica, nos seus 19 anos de prática.

   Museus são espaços que guardam, estudam e expõem o patrimônio da Humanidade. São agentes transformadores, locais que, além de estimular o intercâmbio cultural, promovem a cultura para a paz, através da tolerância entre os povos. Essas premissas fazem dos museus lugares de reinvenção e de reimaginação, especialmente nas atividades oportunizadas através da ação dos setores educativos institucionais.

    Em 2020, nossos museus estiveram fechados durante muitos meses. Foram reabrindo aos poucos e retomaram suas atividades seguindo protocolos de segurança ao público interno e externo, bem como ao acervo em geral, mas outros não têm perspectivas de voltar a abrir suas portas… São as consequências do rastro impactante devido ao avanço da Covid-19, em todo o mundo. Mesmo assim, muitos museus se reinventaram. De modo criativo os profissionais de museus levaram suas atividades para o mundo virtual. Esse processo trouxe para o cotidiano dos museus a necessidade da adoção da tecnologia como uma ferramenta essencial para todas as áreas da instituição. Neste ano as portas dos museus estão, ou estarão abertas. E qual é o futuro dos museus nessa nova realidade? O que propomos? Como fazer com que aqueles que não poderão reabrir suas portas, não deixem de existir?

    O tema deste ano desafia os museus a imaginar e partilhar novas formas de comunicar seus acervos, criar novos espaços de mediação e a realidade virtual e digital já é parte indelével dessa transição. O mundo digital exige, agora, uma reflexão sobre essa mudança de mentalidade, e, principalmente, sobre a forma como os museus se comunicam com seu público. O museu hoje, consegue, de forma minimamente satisfatória, responder a esse questionamento: qual é a memória do público e qual é a que o museu lhe oferece?

    Responder melhor ao desafio de lidar com a transição do presencial para o virtual nos museus implica no domínio de algumas competências que antes eram apenas dos profissionais da tecnologia, mas é urgente que os profissionais do campo museológico, especialmente das instituições museais  brasileiras, que convivem com permanentes dificuldades de recursos orçamentários, humanos e tecnológicos, estejam habilitados a trabalhar e a interagir com os especialistas das diferentes plataformas tecnológicas, que dominam as sociedades atuais. Reimaginar o museu é, portanto, impulsionar a imaginação do público para que ele possa iluminar com consciência tudo aquilo que sua curiosidade e reflexão o estimular a conhecer e compreender do mundo e da vida. Depois do longo período em que o público esteve fisicamente afastado dos museus e, frente ao desejo desses usuários de voltarem a esses espaços lúdicos, de narrativas e memórias, conforme revelado em pesquisas realizadas em 2020, constatou-se a relevância destas instituições responsáveis pela democratização de acesso aos bens patrimoniais para toda a sociedade.

    O COFEM, como órgão central da fiscalização do exercício profissional do museólogo no País, considera que, para permitir que essa realidade se instale no Brasil, alguns fatores condicionantes precisam ser atendidos pelos órgãos responsáveis pelos museus: a adequação dos recursos necessários para a qualificação de pessoal e infraestrutura tecnológica e digital, nas instituições, que dependem de planejamento de curto, médio e longo prazo. Por isso, é imperioso que a Política Nacional de Museus seja mantida na sua plenitude para que o setor museológico brasileiro possa estabelecer novas estratégias e se adequar a esse novo contexto sócio-histórico, através de uma consistente política museológica para o setor.

    Também os cursos de formação do profissional precisam se ajustar à nova realidade. Os currículos devem ser revistos e incluídas disciplinas e atividades que permitam a adequada formação das novas gerações de museólogos para que cheguem ao mercado de trabalho munidos das competências lógicas  digitais e virtuais básicas que lhes permitam ocupar seu espaço no mercado que está em constante transformação. É imprescindível que os museólogos dominem novas disciplinas e tecnologias, sem que sejam especialistas, para fazer com que os acervos e coleções sob sua responsabilidade dialoguem de forma dinâmica e lúdica, interagindo com a sociedade.

    O COFEM reconhece e parabeniza o esforço que os profissionais museólogos vêm empreendendo para proporcionar à sociedade, a partir da crise instalada com a pandemia causada pelo Covid-19, um novo, instigante e seguro espaço de mediação.